A Voz de Hastur
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A Voz de Hastur
Em uma noite sem lua, o vento assobiava entre as árvores, trazendo consigo sussurros de um tempo antigo. As estrelas, geralmente brilhantes e consoladoras, estavam ausentes, ocultas por uma névoa densa e impenetrável. Na pequena aldeia de Dralith, os moradores trancavam suas portas e fechavam suas janelas, temendo o que poderia emergir da escuridão.
O Presságio do Último Vento
Jareth, o ancião da aldeia, sentava-se em sua cabana, o rosto marcado pelo tempo e pelas experiências. Ele ouvia os sussurros do vento e sabia que algo terrível estava para acontecer. Os antigos textos que ele havia estudado falavam de um ser conhecido como Hastur, o Rei de Amarelo, cuja presença anunciava a desgraça.
“Ouve a voz do terrível Hastur, ouve o suspiro que aflige o curso louco do Último Vento que turbilhona tenebrosamente em meio às estrelas mudas”, recitava Jareth em voz baixa, recordando as palavras dos tomos ancestrais. Ele sabia que a aparição de Hastur significava destruição e caos, e que poucos sobreviviam para contar a história.
O Uivo das Entranhas da Terra
De repente, um som profundo e gutural ecoou das profundezas da terra, um uivo que fazia a pele arrepiar e o coração acelerar. Era como se a própria terra estivesse gemendo de dor e desespero. “Escuta-o uivar, com suas presas de serpente, do fundo das entranhas da terra; Ele cujo troar constante preenche os céus sem idade de Leng que permanece oculto”, murmurou Jareth, sentindo o pavor crescer dentro de si.
O Poder Devastador
Hastur avançava silenciosamente, invisível aos olhos humanos, mas seu poder era sentido em todo lugar. As árvores da floresta balançavam violentamente, e as casas da aldeia tremiam como se fossem feitas de papel. “Seu poder assola a floresta e pulveriza as cidades, mas ninguém conhecerá a mão que bate e a alma que destrói, pois Aquele que é Maldito avança, sem rosto e sua forma permanece ignota para os homens”, pensava Jareth, ciente de que a presença de Hastur não poderia ser detida.
O Chamado nas Horas Sombrias
Em meio à confusão e ao medo, Jareth ouviu um chamado, uma voz profunda e penetrante que parecia vir de todos os lados. “Ouve então, sua voz nas horas sombrias, responde a seu apelo - chamando-o, inclina-te e ora à sua passagem, mas não pronuncia Seu Nome em voz alta”, ecoava em sua mente, como um aviso e uma ordem.
Jareth sabia que ignorar o chamado poderia significar a morte certa. Com relutância, ele se levantou e caminhou para fora de sua cabana, sentindo o vento frio cortar sua pele. Ele se ajoelhou no chão, inclinando-se em reverência à presença invisível de Hastur. Com o coração acelerado e a mente tomada pelo medo, ele sussurrou uma prece silenciosa, pedindo misericórdia ao ser desconhecido.
O Silêncio Após a Tempestade
Quando o vento finalmente acalmou e o uivo cessou, um silêncio profundo tomou conta da aldeia. Jareth permaneceu ajoelhado, esperando por um sinal de que a tempestade havia passado. Lentamente, ele se levantou, sentindo o peso da noite finalmente começar a se dissipar. Ele sabia que Hastur havia passado, mas o medo de seu retorno jamais o abandonaria.
Os moradores de Dralith emergiram de suas casas, olhando para a floresta devastada e as casas danificadas. Eles sabiam que algo terrível havia acontecido, mas poucos compreendiam a verdadeira natureza do perigo que enfrentaram. Jareth, no entanto, sabia que a voz de Hastur continuaria a assombrar seus sonhos, um lembrete constante do poder que se escondia nas profundezas da terra e nas sombras do universo.
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